07/04/2011
Itaú Unibanco de Campos traz vigilantes de outro estado para abrir agência
O banco Itaú Unibanco encontrou uma forma de burlar a greve dos vigilantes em Campos dos Goytacazes. Toda a região Norte-Noroeste Fluminense enfrenta uma greve dos empregados das empresas de segurança privada desde o último dia 25.
Desde então, o movimento em Campos não sofreu nenhuma interrupção e os bancos permanecem fechados para o público. No entanto, a partir da última terça-feira 5, o banco começou a trazer vigilantes de Minas Gerais para abrir uma das unidades.
O banco tem 11 agências e 2 Postos de Atendimento Bancários (Pab´s) no município de Campos e decidiu abrir uma das unidades para atender ao público. Para isso, convocaram um vigilante do estado de Minas Gerais e a agência foi aberta.
Os sindicatos dos vigilantes e dos bancários comunicaram o fato à Polícia Federal, que enviou agentes para fiscalizar a unidade. Os policiais constataram que a presença de somente um vigilante infringia o Plano de Segurança daquela agência, que prevê três profissionais.
Foi verificado também que a porta giratória não estava funcionando corretamente, já que os agentes entraram armados sem que o dispositivo travasse. Ainda foi verificado que o transporte de valores estava sendo feito em desacordo com as exigências legais, já que os vigilantes dos carros fortes também aderiram à greve e o abastecimento não vem sendo feito por profissionais especializados e dentro das normas. O gerente da agência, o chefe da guarda e o vigilante foram levados à delegacia de Polícia Federal para prestar esclarecimentos.
"Jeitinho" na lei
Mesmo depois do problema que aconteceu na tarde da última terça-feira, o Itaú Unibanco insiste em importar vigilantes. Na manhã dessa quarta-feira, dia 6, mais dois profissionais vieram de Minas Gerais para que a exigência do Plano de Segurança da agência seja cumprida. Porém, o uso de trabalhadores de outros estados para fazer contingência em movimentos grevistas é ilegal. O que o Itaú e a empresa estão fazendo é dar um "jeitinho", fazendo uma interpretação livre da lei para justificar a atitude.
"Eles consideraram que não haveria ilegalidade porque, mesmo o vigilante sendo de Minas Gerais, a empresa tem filial no estado do Rio de Janeiro. Mas, a lei não diz isso", pondera Rafanele Alves, presidente do Sindicato dos Bancários de Campos.
O entendimento de Cláudio José, diretor de Relações Intersindicais da Confederação Nacional dos Vigilantes, também é contrário ao dos patrões. "É errado trazer o vigilante de outro estado. Não importa onde fica a sede ou a filial da empresa, este trabalhador mora em Minas Gerais e foi contratado para trabalhar lá. As duas empresas têm que ser denunciadas ao Ministério do Trabalho", argumenta o dirigente.
Não foi a primeira tentativa do Itaú Unibanco para combater a greve dos vigilantes em Campos. O banco entrou com um pedido junto à 1ª Vara do Trabalho de Campos para que a greve fosse declarada ilegal, mas não obteve deferimento. A empresa ainda tentou conseguir autorização judicial para que as unidades abrissem com somente um vigilante ou com um reforço da PM, mas a Justiça Trabalhista negou o pedido e determinou que a legislação federal para segurança bancária fosse cumprida.
O uso da Polícia Militar para vigilância de instituições privadas, solicitado pelo banco, é ilegal, já que as forças policiais do estado são públicas e não podem prestar serviços a particulares. Mas, mesmo com a decisão da 1ª Vara do Trabalho que proibiu o uso da PM, três viaturas permaneceram durante toda a manhã desta quarta-feira em frente à agência do Itaú Unibanco que estava aberta ao público.
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Agências bancárias de municípios fluminenses fecham por causa de greve dos vigilantes
Agência Brasil
Cerca de 140 agências bancárias fecharam a partir de 1º de abril ao público, em vários municípios do Rio de Janeiro, por causa da greve de vigilantes que começou na cidade de Campos dos Goytacazes, no dia 23 de março. A categoria reivindica 10% de reajuste salarial.
O movimento ganhou força e se estendeu para os municípios da Baixada Fluminense. Em Belford Roxo, 12 agências bancárias não abriram. Nas cidades de Queimados e Nova Iguaçu várias agências também permaneceram fechadas.
No norte fluminense, a greve atinge as cidades de Macaé, São João da Barra e Cardoso Moreira. No noroeste do estado, a paralisação afeta as agências bancárias de Bom Jesus do Itabapoana, Cambuci, Santo Antônio de Pádua, Itaocara, Italva, Itaperuna, Natividade, Porciúncula, Varre-e-Sai, Bom Jardim, Cachoeiras de Macacu, Cantagalo, Cambuci, Cordeiro, São Fidélis, São João da Barra e Miracema.
Nas regiões onde a greve começou há mais tempo, como Nova Friburgo, Macaé e Campos dos Goytacazes, já falta dinheiro para reabastecer os caixas eletrônicos.
De acordo com o presidente da Federação Estadual dos Vigilantes, Fernando Bandeira, no estado do Rio de Janeiro o piso salarial dos vigilantes está cada vez menor. "A gente está reivindicando 10% do reajuste acima da inflação exatamente porque os empresários estão oferecendo apenas 1,5%", disse. Atualmente, o piso da categoria é R$ 800.
Fonte: Contraf-CUT