10/03/2011

Relato e comentários sobre a última negociação com a Caixa


Informes GT Saúde

Logo no início da reunião com a empresa, o Plínio resolveu dar informe da última reunião do GT Saúde. O que achei extremamente estranho, pois tem gente da Caixa que participa da mesa de negociação e do GT, o que tornaria o informe desnecessário. Comecei a me preocupar com alguma possibilidade de golpe, alguma bola que a Art poderia levantar para a empresa em plena mesa de negociação...A questão do superávit do Saúde Caixa, por exemplo, onde não temos certeza da posição do Plínio[Nesse ponto a Vanessa pode dar uma comentada].

Todo caso, foi apenas um informe de 5 minutos e nada mais. Aparentemente sem propósito, pois o assunto do superávit não foi nem tocado.

Comissão de Conciliação Voluntária

Pra quem não recorda, há mais ou menos dois anos, a Caixa colocou em mesa a intenção de implantar as CCPs (Comissões de Conciliação Prévia). Estava na em Brasília nessa oportunidade. Lembro da apresentação que a empresa fez, mostrou uns três tipos distintos de CCP a ser implantado. Na época coloquei o relato na nossa antiga lista. Como, de dois anos pra cá, aconteceu todo tipo de bolo, a empresa deixou o assunto em stand by. Pois bem, agora ele retorna requentado, mas com uma nova face:

Ao invés de CCP, se trata de CCV, ou seja: Não é obrigatória a participação do empregado que tem coisa a reclamar na tal comissão. No caso, os aposentados; primeiro alvo desse instrumento de redução de passivo trabalhista que contaria com a participação do sindicatos.

O empregado, pode comparecer à comissão e não concordar com a empresa, ou ainda acertar parcialmente sua reclamação...Tendo todo o direito de reclamar o restante na justiça. Num olhar superficial, parece ser bem mais “light” do que a CCP...

A empresa pressionou bastante para aceitação da CCV em mesa.

Entregou uma proposta de regulamentação da Comissão (que vou escanear e remeter ao grupo).

Ah, a cada reunião da Comissão, a empresa falou que os Sindicatos participantes ganhariam R$ 500,00, independente de fechar acordo ou não. O povo da Articulação parece ter achado isso uma ofensa e começou a brigar por um valor maior.

Esse “conflito”, pasmem, gerou o pedido de um break para discussão tática de um assunto de tamanha relevância para a expressão da luta de classes no ramo financeiro: A grana que as entidades deveriam embolsar a cada CCV concluída.

Depois do (coffee)break de quase meia hora, alguns pãezinhos de queijo e um caldo de mandioca ajudaram a construir o consenso progressivo:

R$ 570,00 para o sindicato, por cada trabalhador que for à CCV.

A empresa ofereceu a seguinte possibilidade:

Realizar a modalidade em algumas bases-piloto durante três meses, avaliar os resultados e implantar no resto do país.

Pediu voluntários para isso, o povo brigou entre si para ser piloto, para risadas dos negociadores da Caixa, e assim foram estabelecidas as bases em que a CCV será testada:

São Paulo, Campinas, Ceará e Brasília

Só para lembrar, durante o break , este que escreve sugeriu que voltássemos às nossas bases para estudar o assunto e nos posicionássemos sobre a CCV – inclusive os pilotos – numa outra reunião.

Fui minoritário, a companheirada, entre um salgadinho e outro, dizia para mim que o cavalo estava passando “selado”, e que não podíamos perder a oportunidade. Jair e Plínio me pediram para apontar os defeitos problemáticos da proposta da empresa.

Respondi para eles, que eu não tinha a capacidade de fazer isso tão rapidamente, afinal, o documento com a proposta de regulamento havia chegado às minhas mãos naquela mesma hora. Talvez os companheiros sejam mestres em leitura dinâmica, pensei comigo.

Todo caso, independente de regulamento, durante o break, problematizei, do ponto de vista ideológico, o que poderia acarretar a participação do movimento sindical em iniciativas como essa.

Quando entramos com uma ação na justiça e fazemos um acordo, estamos abrindo mão do valor inicialmente pretendido em prol de agilizar o recebimento de certa soma de dinheiro.

Agora, quando nem entramos na justiça trabalhista para fazer um acordo direto com a empresa, mesmo com a participação do sindicato, entendo que a tendência é que o trabalhador receba menos ainda do que num possível acordo. Esse é o meu entendimento, posso estar errado, aí os camaradas me ajudam aqui.

Me preocupo com a possível criação de uma máquina monstruosa de limpeza de passivo trabalhista(culpa de gestores desprovidos de espírito público) que ajude a burocratizar ainda mais o movimento sindical.

Posso estar paranóico, aí os compas podem me trazer à uma realidade mais rosa.

O Augusto, do PCdoB da Bahia, também problematizou a questão, lembrando que, não obstante os R$ 570,00 por empregado que for às CCVs, os sindicatos poderão cair numa arapuca por conta de deixar de ganhar dinheiro com sucumbências originadas de ações judiciais, as quais as entidades ajudam os empregados a entrar.

Discriminação REG/REPLAN

Esse ponto durou 2 minutos.

Reclamação de gente da base acerca da nomenclatura dos cargos no PFG.

Esse ponto foi um dos mais pródigos em termos de discussões inúteis.

Segundo Plínio e Jair, está ocorrendo uma rebelião na empresa, por conta da mudança do nomenclatura do PCC para o PFG. Assim, analistas (principalmente da área tecnológica) sentiram-se humilhados por terem virado assistentes, bem como os gerentes de retaguarda teriam sentido-se desprestigiados com a mudança para supervisor.

Isso gerou meia hora de discussão. Com o Plínio e demais compas da Art se exaltando e tudo mais.

Questão de Desvio de função por conta da falta de empregados nos locais de trabalho

Empresa diz que a força de trabalho da Rede teria aumentado em 20%

Em seguida problematizamos a falta de empregados na empresa.

Acho que não preciso dar muito relato disso.

PEATE

Problemas com a implantação das células de atendimento.

Empresa garante que não pode existir TBN fazendo conferência de assinatura sem ter o curso de caixa.

Reclamações sobre problemas de ergonomia do atendimento.

Descomissionamentos/Rodízio de gerentes que participam de algum movimento (Agecef, por ex)

Problemas na Bahia e outros locais, gente da AGECEF e outros movimentos sendo transferidos para agências de porte menor etc.

Nesse ponto, Plínio colocou que não era justo uma pessoa lutar para pegar uma função e depois sofrer o risco de perdê-la num piscar de olhos de seu gestor.

PÁRA TUDO.

Exatamente, três anos depois de a articulação ter rechaçado o PLACAR em sua totalidade, o seu capa nacional resolve reconhecer que É NECESSÁRIO ESTABELECER CRITÉRIOS CLAROS PARA COMISSIONAMENTO E DESCOMISSIONAMENTO .

Evolução nos estágio de consciência?

DUVIDO

Acho que isso significa a possibilidade de terreno fértil para demandas desse tipo.

Ana Telma disse que está comprando muitas brigas internas nas discussões a respeito de mudanças nas políticas de RH. Segundo ela, a empresa está dividida.

O fato de , recentemente, os comissionamentos terem sido mais normatizados, e vinculados à necessidade de PSI, gerou sensação de impotência e descontentamento grande na classe gerencial, segundo Ana Telma.

Aí falei rapidamente da necessidade de parâmetros mais republicanos na pol[itica de RH da Caixa. Não é bom para o ESTADO, não é bom para o GOVERNO, não é bom para a EMPRESA PÚBLICA ficar de refém das oligarquias locais blablabá...

Ela disse claramente que a peleia interna vai ser grande, caso se incida nos critério para descomissionamento.

O fato de isso ter virado MANCHETE NA FENAE, para mim, denota terreno fértil para essa demanda.

E se os compas compartilham dessa análise OTIMISTA...

TEMOS DE DIRIGIR ESSE PROCESSO.

SIPON

Sumiço do Reloginho

Alerta para a abertura de passivo trabalhista

Sétima e Oitava Hora

Articulação pergunta a respeito da indenização da 7ª e 8ª hora. Empresa responde que não há, pelo menos não nos moldes anteriores.



Bom, é isso. Algumas perspectivas de como será o ano, ao meu ver, foram delineadas nessa mesa.

Ao meu ver, se esse modelo de negociação persistir, seguiremos quixotescos, com a diferença de que nem brigar com os moinhos conseguiremos.

CHICO Magalhães

fonte: SindBancários Porto Alegre














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